quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O Propósito da Vida


Em tempos de dificuldade ou tragédia, se não em outros tempos, as pessoas se perguntam: qual é o propósito da vida? Isto porque na maior parte de seus dias elas agiram como se o propósito da existência fosse fazer muito dinheiro, erguer-se a uma posição de importância, tornar-se famoso ou poderoso, ou talvez apenas divertir-se, nadando no mundo de desejos sensuais. Elas acham que a conquista de tais objetivos lhes trará felicidade.

Até que um dia, quando talvez por uma ou outra razão virem a morte bem de frente, e perceberem o quão próxima ela sempre se encontra, elas começarão a duvidar da validade de tais objetivos. Mas qual é o verdadeiro objetivo? Elas perguntarão a si mesmas. O que irá trazer o permanente estado de felicidade pelo qual o coração humano eternamente anseia? Será que ele só pode ser encontrado em algum paraíso realizador de desejos nos céus?

Sai Baba ensinou que este propósito de vida é descobrir quem realmente somos. O ser humano, ele dizia, é como um príncipe que foi roubado por ladrões quando era bebê. Cresceu achando que era um dos ladrões. Mas se ele descobrir, e vier a saber, sem sombra de dúvida, que ele é um príncipe com uma herança maravilhosa, sua vida e perspectiva serão completamente transformadas.

Da mesma maneira, se pudermos alcançar o conhecimento direto e livre de incertezas de nossa verdadeira identidade, nossas vidas se moverão rumo a um novo nível e nossa perspectiva mudará completamente. Paralela a esta mudança estará a permanente alegria que não é afetada pelos altos e baixo das circunstâncias. Descobrir quem somos libera esta alegria, que é parte de nossa verdadeira natureza.

Não temos que esperar a morte, ou passar para uma outra zona de existência antes de fazer essa grande descoberta. De fato, é melhor que a façamos aqui, e este é o propósito de nossas vidas humanas na Terra.

Quando tivermos encontrado o oculto Ser real, teremos encontrado Deus, pois Ele é uno com este Ser. A viagem interior até o Ser e até Deus pode ter três estágios. Primeiro, há um sentimento de que Deus é o Mestre, um grande Ser em algum lugar lá fora, e de que nós somos seus servidores. Depois os buscadores se aproximam mais e compreendem que cada um deles é o filho, a prole de Deus; finalmente eles percebem que são unos com Deus.

Quando os buscadores perceberem que eles são unos com Deus, descobrem também que são unos com toda a vida, pois Deus é toda a vida. Enquanto eles continuarem a viver neste mundo, depois dele, a vida lhes será governada por este senso de unidade harmônica. Eles não buscarão felicidade e satisfação através das coisas do mundo. A felicidade estará sempre com eles. Eles buscarão somente servir a seus companheiros seres humanos a fim de trazer todas as pessoas ao objetivo que eles próprios alcançaram.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sathya Sai Baba e o Universo



O universo de múltiplas formas, da invisível vida microscópica a invisíveis e distantes estrelas, teve um início e terá, então, um fim. Ele foi criado pelo Deus eterno, não saído de algo, mas saído do Seu Ser infinito. O Uno criou a aparência dos muitos eternamente mutáveis, enquanto permanecia no Uno.

O universo apresentando-se como muitas coisas é, portanto, chamado de o modo de “transformação” de Deus. O Uno, por trás da aparência dinâmica, é conhecido como o modo do “Ser”. Se pudéssemos ver o modo de Ser, o Divino imutável, interiormente e além do constante modo de “Transformação”. Nós veríamos verdadeiramente.

Mas normalmente nós não vemos este Deus-no-universo. Além disso, nós nem vemos o modo de transformação como ele realmente é. Como discursaram os sábios de todos os tempos e climas, incluindo Sócrates, nossos sentidos e mente nos enganam. Eles constroem um quadro de objetos sólidos, multicoloridos e tridimensionais, enquanto o que está realmente operando nossos sentidos, como a ciência agora concorda, é uma rede de padrões de energia, movendo-se em velocidades altamente aceleradas e vastos espaços vazios.

Portanto, o que pensamos que vemos é maya, não está lá realmente. E o que está realmente lá está sempre mudando, exceto pelo Uno constante e imutável por trás de tudo. Sai Baba compara isso a um filme de cinema. Oscilantes padrões de luz e sombra projetam a ilusão de formas móveis na tela parada, imutável. Quando  o rolo do filme termina, as formas desaparecem, mas a tela permanece. Isto representa o modo de “Ser” de Deus.

Mas outro show logo irá começar. Outro Drama Cósmico será projetado na tela do modo de “Ser” de Deus. Universos fenomenais vêm e vão periodicamente. Nós próprios somos parte deste dinâmico Drama Cósmico. Pelo menos nossos corpos e mente são. Mas dentro de cada um de nós está o imutável Ser Divino. E este é o Ser verdadeiro.

sábado, 21 de dezembro de 2013

ATLÂNTIDA



A Atlântida situava-se na parte norte do Oceano Atlântico. Sua extensão seria comparável à da Europa e Rússia juntas. A orla marítima oriental dos Estados Unidos, então em grande parte sob as águas, abrangia as planícies costeiras da Atlântida, que se estendiam do México ao Mar Mediterrâneo.

Nessa época, os dinossauros vagavam pela Terra e muitos pertenciam a espécies carnívoras. Para se proteger dessas feras, inúmeros atlantes viviam em grandes cidades cercadas de muralhas.

Também vivam na Atlântida aqueles animais grotescos, de aparência humana. Certos segmentos da sociedade chamavam-nos de “coisas”, e eram tratados como escravos e como animais de carga. Havia dois grupos de pessoas na Atlântida: os que serviam à Lei do Uno e os chamados filhos de Belial.

Os filhos de Belial eram seguidores de Belzabu. Eles eram os senhores do materialismo, o grupo egoísta, materialista e egocêntrico. Eram as pessoas que escravizavam os “coisas”, ou homens-animais que tinham cascos, garras, penas, asas e rabos em corpos humanos.

As pessoas que serviam à Lei do Uno tentavam ajudar os “coisas”, espiritual e fisicamente, levando-os aos grandes templos de cura da Atlântida. Usando avançadas técnicas de cristais, Luz e sons, eles realizavam cirurgias frequentes para remover esses apêndices desumanos, que não manifestavam mais o projeto perfeito do Adam Kadmon que Deus havia criado para o corpo humano aperfeiçoado.

Em 52000 a.C., um conselho de sábios das cinco raças reuniu-se com o objetivo de analisar possíveis formas de extinguir os dinossauros. Foi levado à discussão um plano que previa o uso de forças químicas superpotentes para envenená-los em seus covis. Esse plano foi aprovado e posto em execução.

A primeira de uma série de três catástrofes que provocaram mudanças no continente ocorreu em torno de 50700 a.C.. A primeira catástrofe foi consequência do uso de produtos químicos e de explosivos para aniquilar os dinossauros. Um grande número de enormes bolsas de gás foi detonado nas tocas dos animais, precipitando erupções vulcânicas e terremotos. As perturbações foram tão grandes, que provocaram uma mudança no eixo da Terra, deslocando os polos para suas posições atuais e causando a última grande glaciação.

O continente da Lemúria ficou completamente destruído, mas a Atlântida, como continente, foi pouco afetada, por estranho que isso possa parecer. Como consequência do deslocamento dos polos, todo o continente da Lemúria submergiu no fundo do oceano. A Atlântida, então, tornou-se a principal civilização do planeta. Ela era muito avançada tecnologicamente, mas muito pouco espiritualmente, mais ou menos como os Estados Unidos atualmente. Na verdade, muitas almas que viveram na Atlântida estão reencarnadas e, hoje, moram nos Estados Unidos.

O grande cataclismo destruiu a maior parte dos dinossauros por causa da transformação do continente e da mudança das condições climáticas. A Atlântida, ao se tornar a principal civilização do planeta, começou a prosperar. Foi durante esse período que extraterrestres visitaram-na e apresentaram aos seus habitantes sua avançada tecnologia dos cristais.

Os Atlantes passaram a usar a energia dos cristais para gerir quase todos os aspectos da sociedade. Eles dispunham de um cristal que era a principal fonte de energia de todo o continente. Ele movimentava carros, navios, submarinos e aviões, suprindo todas as necessidades de energia da sociedade. A ciência foi se tornando cada vez mais a nova divindade, e as pessoas passaram a se interessar cada vez menos pela presença de Deus.

Os Filhos de Belial e as influências extraterrestres negativas começaram a assumir o controle da civilização atlante. A energia do cristal passou a ser usada em operações militares e para controlar as pessoas. Num dia fatídico, cientistas atlantes tentaram usar o grande cristal para enviar uma espécie de feixe de energia através da crosta terrestre, com propósitos malignos. Isso provocou uma explosão indescritível, como jamais alguém tinha visto neste planeta. Esse fato ocorreu há aproximadamente 28000 a.C. e teve como resultado a submersão da Atlântida. Que ficou dividida em três ilhas. A Bíblia faz alusão a esse relato na história do dilúvio e da Arca de Noé.

Depois dessa grande catástrofe, teve início um período de reconstrução na Atlântida, mas ela não recuperou sua glória original. O continente foi decaindo à medida que o tempo passava. Houve grandes avanços na eletricidade, na energia atômica e no aproveitamento da energia solar; entretanto, em 10700 a.C., a civilização chegou ao auge da decadência moral e espiritual. Prevaleciam o sacrifício humano e a adoração do sol, bem como o adultério e a corrupção.

Os cristais solares foram grosseiramente adaptados como meios de coerção, tortura e punição. As pessoas comuns chamavam-nos de “cristais terríveis”. Mudanças gigantes na Terra sacudiram a Atlântida por volta de 9500 a.C., e ela desapareceu da face do planeta. A explosão foi um milhão de vezes maior do que a bomba lançada em Hiroshima.

Os atlantes que serviram à Lei do Uno deram ouvidos a Deus e aos profetas e fugiram antes que a catástrofe ocorresse. Eles foram para o Egito e, mais tarde, ficaram conhecidos como os Maias, em Yucatán, e como os índios iroqueses, na América. Em todas essas civilizações, a influência dos atlantes pode ser sentida na construção das pirâmides.

Todos os segredos da Atlântida estão gravados na Sala de Registros da Grande Pirâmide. Esses registros são protegidos misticamente. Paul Solomon e Edgar Cayce, em suas canalizações da fonte, disseram que um grande iniciado, que vive atualmente no planeta com o nome de John of Penial (reencarnação de João, discípulo de Cristo), será o grande ser que irá ao Egito para divulgar todos esses registros.

No êxodo da Atlântida para o Egito, os atlantes levaram um grande orientador espiritual, de nome Thot. Por vários milhares de anos, Thot esteve encarnado no Egito, uma civilização de grande espiritualidade. As pirâmides eram na verdade templos de iniciação.

Vywamus disse que a história egípcia durou cem mil anos, e não apenas os quatro ou cinco mil anos a que se referem os historiadores modernos. O Egito teve um grande envolvimento com os extraterrestres. O conceito de pirâmide veio de outros planetas. A civilização egípcia era uma fusão de consciências de vários outros planetas.

Platão referiu-se à submersão da Atlântida em seus escritos. Edgar Cayce predisse que a Atlântida se reergueria e emergiria na costa leste dos Estados Unidos por volta de 1968 ou 1969. As Bahamas são remanescentes dos pontos culminantes de Poseidia, uma das ilhas que foram abandonadas depois do segundo terremoto. Em 1968, mergulhadores encontraram templos e ruínas submersos a mil e oitocentos metros de profundidade, exatamente como Cayce havia predito.

O Triângulo das Bermudas é, na realidade, o grande crista que foi ao fundo do oceano. Em determinadas épocas, quando o Sol incide sobre o leito do mar, num determinado ângulo com relação à Lua, esse grande cristal é ativado. Tudo o que passa pelo seu vórtice de energia, durante esse período de ativação, transforma-se em antimatéria, desintegrando-se. É por isso que os efeitos do Triângulo das Bermudas acontecem apenas em ocasiões especiais e não permanentes.

Os Estados Unidos estão passando por um período de testes muito semelhantes ao que ocorreu na Atlântida há cinquenta anos. A questão é se nosso desenvolvimento científico e tecnológico nos fará perder de vista a verdadeira razão de estarmos aqui: o nosso desenvolvimento espiritual.

LEMÚRIA



A Lemúria, ou Mu, era um continente localizado no Oceano Pacífico e se estendia desde os Estados Unidos até a extremidade da América do Sul. O estágio de existência da Lemúria relacionava-se com a consciência de raça, que estava aprendendo a lição da sintonia física. A humanidade como um todo avança por estágios, e a sintonia física foi a lição-chave desse período da história.

Os lemurianos eram um povo mais filosófico e espiritualista que os atlantes; estes eram mais avançados tecnologicamente.

Nesse período da história, grandes dinossauros vagavam pela Terra, por isso os lemurianos, em grande parte, precisavam viver abaixo da superfície. Eles viviam em cavernas, escondendo-se dos dinossauros, de onde saíam apenas para buscar alimento. Decoravam seus refúgios de forma artística e muito bonita. Os lemurianos eram de estatura baixa: os homens mediam um metro em meio e as mulheres tinham alguns centímetros a menos. Os índices de sobrevivência infantil não eram elevados. Eles se alimentavam de grãos e frutas.

A História Pré-Lemuriana



Dois grandes avatares vieram para a Terra nos primórdios do período pré-lemuriano. O primeiro fez convergir para a Terra uma energia de sintonia espiritual. Ele veio como cientista de uma civilização altamente desenvolvida. Sua mensagem estava voltada para a realização de uma fusão do conhecimento científico com o espiritual. Mas naquela época a humanidade não aceitou essa mensagem porque não estava preparada para ela. Assim, esse grande instrutor deixou a Terra, retornando ao estado de co-criador plenamente desenvolvido.

Outro grande avatar foi enviado à Terra no final do período pré-lemunriano. Seu nome era Lo Chi. Era um homem muito alto e gostava de usar uma túnica prateada. Ele foi o primeiro grande instrutor a causar um enorme impacto na Terra. Lo Chi consolidou a coragem, a sabedoria e o amor em seus estágios iniciais. Ele assumiu uma civilização dilacerada pela guerra e começou a construir uma comunidade espiritual, com templos espalhados por toda a região. Ao final do seu reinado ocorreu uma ascensão em massa.

O grande instrutor seguinte mudou seu enfoque, ressaltando mais as qualidades e ocupações emocionais do que as científicas. Foi nesse período que se produziram algumas das obras de arte mais notáveis; entretanto, o aspecto científico da sociedade começou a declinar. Num certo sentido, aconteceu uma oscilação, um movimento pendular, de uma sociedade mais masculina para uma sociedade mais feminina. Ocorreram muitos avanços nas artes, na música, na dança, mas o potencial e a criatividade mentais não estavam presentes por causa dessa oscilação. Isso começou a mudar no decorrer de um longo período de tempo, e a sociedade se tornou mais equilibrada. Então ocorreu nova ascensão em massa.

Vywamus chamou a esses dois períodos de ascensão em massa de “colheita espiritual”. Ele diz que no final do século XX tivemos outra ascensão em massa. Isto esteve relacionado com o Logos Planetário, Sanat Kumara, que em sua evolução cósmica, chegou a um plano mais elevado.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O QUE É DEUS?



“Deus está em todos os lugares e em todas as coisas. Toda a criação vem Dele e Ele está na criação”, dizia Baba. Então podemos pensar em Deus como a Essência sem forma de toda a existência ou como a Força básica por trás de todas as forças ou energias que agem constituindo o Universo. Todas as coisas têm um início e um fim, exceto essa divina Essência ou Força. Como a circunferência de um círculo, ela não tem início nem fim. Ela é eterna.

Esse Deus sem forma parece mais com um Princípio do que com uma Pessoa. Uma pessoa tem limitações, enquanto Deus não tem nenhuma. Um princípio não tem vida, mas Deus é toda a vida. Baba dizia: “Deus não é 'Isto'; dizer 'Isto' nos levaria a pensar em matéria inerte”. Na realidade, Deus está além das categorias do pensamento humano, não sendo nem Isto, nem Ele, nem Ela.

Devemos usar algum pronome ao falarmos sobre Deus. Geralmente usamos o pronome “Ele”, mas deveríamos lembrar que este “Ele” divino está além das limitações da personalidade. Além disso, também devemos compreender que o Deus fundamental, sem forma, pode e toma forma, colocando parte de Seu Ser infinito nesta forma finita. Na verdade, Sai Baba ensinou a doutrina Vedântica de que Deus tomou todas as formas à nossa volta, incluindo a que você vê quando olha no espelho.

Podemos encontrar Deus em qualquer forma, contanto que vejamos a Essência divina dentro da forma. Na verdade, Deus vem sendo louvado em milhares de formas, humanas ou não, desde o começo do mundo. No entanto, embora as formas sejam muitas, existe apenas um Deus. Sai Baba usou a analogia da eletricidade para ilustrar isso. Quando você liga o interruptor, a lâmpada se acende. Mas aquela é a mesma eletricidade que acende todas as lâmpadas. As lâmpadas que brilham mais claramente com a Eletricidade Divina são as que são louvadas como Deuses da Forma.

Quando um autor cria uma história ou drama, ele coloca parte dele próprio em todos os personagens, talvez em alguns mais do que em outros. Entretanto, ao mesmo tempo em que existe em seus personagens, existe muito mais dele próprio além desses personagens. Da mesma forma Deus existe infinitamente além de Sua criação. Dentro da floresta, da flor, do pássaro, da fera e dos humanos, Ele é o Deus imanente. Além de tudo isto, Ele é o Deus transcendente.

Ele está mais perto de você do que sua própria respiração, e ao mesmo tempo está distante no infinito. Nunca podemos vê-Lo ou compreendê-Lo. Mas podemos vivenciá-Lo.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Meditação: Ensinamentos de Sai Baba



A jornada exterior da vida, guiadas pelas lâmpadas Sai do amor, verdade, dever e paz, encontra ajuda e inspiração em regulares expedições ao longo de uma jornada interior, feita através da oração e da meditação. Tanto a meditação quanto a oração são tentativas de comungar diretamente com Deus, ou com nosso Ser mais elevado, como quer que prefiramos considerá-lo. A oração sendo verbal, é mais fácil. E quando sincera, eleva a consciência acima do ego mundano, e é efetiva. A meditação transcendendo os obstáculos da mente, nos aproxima do Ser Divino, transformando nosso caráter e nossa vida. Tanto a oração quanto a meditação devem ser praticadas regularmente.

Para a meditação, Sai Baba deu regras gerais que qualquer um pode seguir. Ninguém errará em torná-las orientações básicas e, através da experiência e da experimentação, adaptá-las às suas próprias necessidades e natureza, pois a meditação é uma arte altamente individual. Os indivíduos que estiveram perto de Sai Baba o consideravam como um sadguru, e receberam instruções individuais dele, quando se fez necessário. Mas estas regras gerais são para a orientação e ajuda de todos. Sai Baba as enunciou e explicou de tempos em tempos para diferentes grupos e multidões, e todas as palavras escritas abaixo em aspas são palavras dele.

Sai Baba explicou que não podemos conhecer Deus sem antes conhecer a nós mesmos. Portanto, devemos cavar bem fundo até nosso próprio centro a fim de alcançar o centro de Deus em Sua grandeza, que é o objetivo da meditação. Devemos cavar através da consciência do ego, através do amontoado de sujeira e desejos egoístas, através das vielas da mente. Isto parece uma grande operação, e, na verdade, o é! Mas não é impossível, pois existe um conhecimento testado e experimentado com relação a isto. Tudo que precisamos é de vontade, paciência, determinação para dar uma justa chance a nós mesmos.

“Inicialmente, guarde alguns minutos para ela todos os dias, e depois vá estendendo o tempo na medida em que sentir a bênção que estiver recebendo”.

A postura para meditação deve ser confortável, estável e relaxada enquanto sentado em posição vertical, ou sobre uma esteira ou uma cadeira de encosto reto. Se você ficar de pé, você ficará cansado muito rápido; se deitar, provavelmente irá dormir. Mesmo assim, algumas pessoas meditam com sucesso de pé ou deitadas de bruços. Mas nenhuma das duas posições é aconselhada como uma regra geral.

Após ter se certificado primeiro de que o corpo está completamente relaxado em uma postura ereta, o próximo passo é retirar a atenção do campo dos sentidos, que geralmente mantém os pensamentos saltando de um lado para o outro como macacos em uma árvore. Fechando as pálpebras suavemente, você pode lidar com o sentido da visão. Mas alguns dos outros sentidos não são tão fáceis de serem bloqueados, como o próprio olho da mente, com seu contínuo curso de imagens.

Uma boa maneira de superar as distrações dos sentidos e da mente é recitar interiormente uma mantra (ou verso) sobre a glória de Deus. Ao concentrar-se inteiramente nisto (e em seu significado), nas profundezas da mente, você eleva sua consciência a um nível muito mais alto, e as distrações mundanas desaparecem.

Ao invés do mantra, um nome de Deus pode ser utilizado. Esta prática é chamada japam. Ao repetir o Nome, qualquer nome querido ao coração, desenhe diante do olho da mente a forma que ele representa. “Quando sua mente se afastar da figura leve-a ao Nome. Deixe-a ficar nesta ou naquela doçura. Caminhando desta forma, ela pode ser facilmente domesticada. A figura imaginária que você desenhou será transformada em uma Figura Emocional querida ao coração e será fixada na memória. Gradualmente ela se tornará uma visão verdadeira, visto que o Senhor assume a Forma a fim de atender seu desejo. Esta é a melhor forma de dhyana (meditação) para iniciantes”.

Sai Baba acrescentou, que caso não consiga se concentrar muito tempo de início, não se desencoraje. Para ele, era como aprender a andar de bicicleta. No começo encontramos grandes dificuldades em manter nosso equilíbrio, mas depois de praticar podemos vencer essas dificuldades facilmente, mesmo através de ruas de tráfego intenso. Então, da mesma forma, a prática irá possibilitar que possamos manter a concentração necessária para a meditação nas situações mais difíceis. E por longos períodos. Portanto, o segredo é manter uma prática regular.

Se os iniciantes acharem que a meditação no Nome e na Forma não combina com eles, existe um outro tipo que pode ser usado. Sai Baba a chamava de “a forma efetiva e universal” de meditação.

Após assumir a postura correta e relaxar o corpo, olhe firmemente para a chama de uma lamparina ou de uma vela à sua frente. A chama deve estar bastante calma. Compreenda-a como o símbolo da Luz Divina que brilha infinitamente. É a glória dourada de Deus que se irradia através de todos os átomos da criação. Ela é, portanto, um objetivo muito apropriado para meditação. Para começar, olhe por tanto tempo quanto puder, ou por tanto tempo quanto quiser, para a brilhante chama, concentrando-se em sua forma e seus profundos significados simbólicos. Depois, suavemente, feche os olhos e visualize a chama dentro de você, entre as sobrancelhas.

Então, “deixe a Luz ir até o lótus de seu coração, iluminando o caminho. Quando ela penetrar nele, imagine as pétalas do coração se abrindo uma a uma, banhando cada pensamento, sentimento ou emoção na Luz, e assim removendo toda a escuridão deles”. Agora, imagine essa Luz pura indo para todas as partes de seu corpo. No início isto será simplesmente um exercício de imaginação, mas com o tempo você verá a Luz real penetrando em cada célula de seu corpo, em cada esquina de sua mente. A Luz irá purificar e harmonizar todo o seu ser.

Mas não guarde a Luz para você. “Deixe-a expandir-se em círculos que se ampliam continuamente, envolvendo seus amados, amigos e companheiros, e também, seus inimigos e rivais, na verdade, todos os homens e mulheres onde quer que estejam, todos os seres vivos, o mundo inteiro”. Assim, você se tornará uno com a Luz Divina que tudo envolve.

Sai Baba também ensinou e recomendou a meditação que é uma combinação das duas já citadas. Ou seja, você combina a meditação no Deus-com-Forma com a meditação da Luz, ou Deus-sem-forma.

“Se você estiver adorando Deus em qualquer Forma, tente visualizar a Forma em uma Luz todo-penetrante. Pois Luz é Deus e Deus é Luz”. Após concentrar-se por tempo na forma amada no centro da luz tremulante, você pode deixar a Forma fundir-se na Luz, enquanto lembra que Deus não está confinado a uma forma, e é realmente melhor representado por uma luz clara e pura. Embora a forma desapareça, a luz será ela própria tingida com a Excelência Divina que era sentida na Forma: Amor, Alegria, Poder, Verdade e Paz. A Luz Divina não é impessoal.

Qualquer que seja o tipo de meditação usado, quando terminá-lo não levante subitamente. Você estava em um estado alterado de consciência, e é melhor retornar vagarosa, gradual e descansadamente. Então, abra suas pálpebras, levante lentamente e volte às suas tarefas normais.

Durante os seus afazeres, traga à memória, de tempos em tempos, a alegria e a nova consciência experimentada através da meditação. Esta alegria e consciência devem mudar sua atitude para com as pessoas e situações. “Meditação sem compaixão é uma negação da religião. Espiritualidade sem amor é um exercício de futilidade. Seus pensamentos, palavras e obras devem ser inspirados por puro e desinteressado amor”.

Em outras palavras, a meditação não é algo para ser executado durante meia hora mais ou menos e depois esquecida. Ela é algo que deveria impregnar sua vida diária, trazendo um constante senso de unidade e de amor por toda a vida e governando suas ações de acordo com isso. Embora você não possa passar todo o seu tempo na jornada interior, deixe que a vida interior ilumine e dirija a vida exterior.

Aliás, Sai Baba frequentemente ressaltava que esta técnica que chamamos de meditação não é a mesma usada para a concentração. É importante lembrar isso qualquer que seja a técnica escolhida. Concentração é o exercício preliminar à meditação. Contudo, quando você entra na meditação em si, você fica em um estado de consciência relaxado, mas alerta. Alguns adequadamente compararam isso com o sentar em um quarto silencioso sozinho. Você não está esperando que nada aconteça, mas você está alerta caso aconteça algo. Se alguém entrar no quarto imaginado poderá ser através de qualquer uma das várias portas. Portanto, você não se concentra em nenhuma entrada; você simplesmente espera em total quietude.

Quando, durante esta quietude mental, você se esquece de que está meditando, é então quando você realmente começa a meditar. Ter expectativas, tentar causar algum resultado, frustrará o resultado. As experiências elevadas, supra-sensuais ou espirituais são sempre algo “dado”. Podemos apenas nos preparar para recebê-las.

Com o tempo e a prática, a meditação irá se fundir em samadhi, que é sua culminância e meta. “Samadhi é o oceano para o qual toda sadhana (práticas espirituais) corre. Qualquer traço de Nome ou Forma desaparece neste oceano... Existe apenas o Ser, nada além, isto é samadhi. Se houver algo a mais, então não é samadhi”.

A totalidade da vida do buscador deve ser empregada em uma campanha de aproximação a Deus. Nesta campanha, um período regular de meditação, usando técnicas testadas para derrubar as barreiras entre nós e Ele, é uma grande ajuda. Sessões de meditação não são algo separado, e sim pontos altos da vida espiritual.

Diferentes grupos religiosos, filosóficos e espirituais transmitem diferentes técnicas de meditação, e o próprio Sai Baba ensinou outros métodos para estudantes mais avançados. Mas eles são todos construídos com base nos mesmos princípios básicos de Raja Yoga para alcançar samadhi. Todos eles impõem postura correta, controle do corpo, dos sentidos, da mente e firme concentração da atenção, levando aos estados de além-pensamento da meditação e samadhi.

O método de meditação de Sai Baba é devocional, elevando o coração e a consciência através da inspiração do amor. Suas técnicas são, portanto, muito adequadas para todos os que estão no caminho de bhakti, e particularmente para aqueles que estão no Caminho Sai, que coloca bhakti, ou devoção, em primeiro lugar.

Não são apenas todos os métodos de meditação que são iguais em propósito e em princípios básicos; o mesmo pode ser dito de todas as religiões. Religião, pela derivação de seu nome (re, volta e legare, ligar), visa tornar a ligar o homem a Deus. Quaisquer que sejam suas práticas externas, rituais e credos, o propósito interior de toda religião, como sua filha a meditação, é nos levar de volta a Deus e nos unir novamente com a Fonte Divina.

Sai Baba constantemente ensinava esta grande unidade interior de todas as religiões. “Existe apenas uma religião”, dizia ele, “a religião do coração, a religião do Amor”. Ele diz que Deus é como o ourives comprando imagens religiosas e estatuetas. Qualquer que seja a figura, Krishna, Cristo, Shiva, Buda, ou outro, o ourives paga apenas pelo preço do ouro em cada uma. O ourives não liga nem um pouco para as figuras religiosas em si. Do mesmo modo, “Deus pesa o que está em nossos corações, não importa se seguimos esta ou aquela Forma, este ou aquele professor, esta ou aquela fé. É a qualidade de nossos corações que importa”.

Se a “religião do coração” de Sai Baba situa-se na base de todas as religiões, os ensinamentos fundamentais destas religiões devem ser iguais aos ensinamentos de Sai e iguais uns aos outros. Quaisquer que sejam as diferenças que existam, elas devem ser superficiais e sem importância em relação à questão principal.