terça-feira, 31 de dezembro de 2013

DESPERTANDO DO ENCANTAMENTO DA MATÉRIA



Neste terceiro milênio, a humanidade toda despertará do encantamento da matéria. Nosso planeta possui sete dimensões, embora no passado o tenhamos percebido como tridimensional. Da perspectiva do espírito e dos anjos, tivemos algumas desordens de percepção estranhas e debilitantes. Identificamo-nos mais com a forma do que com a essência; com o tempo mais do que com a eternidade; com o visível mais do que com o invisível. Vivíamos sob o efeito de uma hipnose negativa.

O desafio da Nova Era é manter nossa forma humana e, todavia, despertar dessa hipnose. De acordo com o arcanjo Rafael, em Transmissões da Estrela Semente, os anjos foram programados para nos despertar num determinado momento da história. O ápice desse momento ocorreu no nascimento de Jesus Cristo, que descreveu a si mesmo como o caminho onde estávamos, onde estamos e onde estaremos, depois que o encantamento da matéria for quebrado. Os anjos precisam de dois mil anos para nos preparar para a profunda transformação que está prestes a ocorrer, a entrada plena da Nova Era.


O EGO E O ESPÍRITO

O ego é a parte mais substancial e importante do "eu" que nos dá uma sensação de identidade e individualidade. Ele nos ajuda a viver neste mundo e cumprir nossas missões aqui. Ter um ego implica ter um corpo físico.

A verdadeira função do ego consiste em recuperar informações e em lembrar à extensão de alma que vive no corpo que cuide do corpo físico no qual ela vive. O ego impede que a extensão de alma pratique alguma ação que possa prejudicar o veículo físico. O ego é especialista em plano material. Se não tivéssemos um ego, poderíamos até esquecer que estamos encarnados. Assim, ele nos lembra que precisamos de água, de alimento e de sono.

O problema surge quando o ego ultrapassa suas funções e põe-se a interpretar para nós outras áreas da nossa vida, uma tarefa que é, ou pelo menos deveria ser, específica da alma e do espírito. Deixamos o ego interpretar nossa realidade, o que ele faz baseado na crença errônea de que somos corpos (porque essa é a única realidade que ele conhece), e também o deixamos sobrepor-se aos modos intuitivos utilizados pelo espírito para processar a informação. O método do cérebro direito adotado pelo espírito para processar a informação, usando a intuição, a mente superior, a vontade espiritual e outras faculdades, pode processar a informação instantaneamente. Ao interpretar nossas realidades, o ego faz mal uso da mente consciente e do raciocínio e criou um sistema de crenças ilusório, baseado no medo, na separação, no egoísmo e na morte.

O ego também anulou e bloqueou o circuito superior do sistema primário de informações do espírito, que poderíamos comparar a um computador. Na melhor das hipóteses, ele consegue usar 10% do cérebro. Só o uso do sistema processador de informações do espírito possibilita o uso de 100% do seu potencial.

Por ocasião a queda, a humanidade desviou-se para o modo de interpretar, desajeitado e ilusório, do ego. O ideal teria sido equilibrar as funções do ego e do espírito de maneira apropriada. Nunca foi tarefa do ego interpretar a nossa realidade; ele deveria apenas recuperar as informações e ser o especialista residente no corpo físico. Interpretar a realidade por meio do ego é interpretá-la através dos olhos físicos, apenas. Nós não deixamos o ego espiritualizar-se; assim, ele se tornou negativo. Quando Sai Baba e outros instrutores  dizem que devemos morrer para o nosso ego, isso significa que devemos morrer para o nosso ego negativo, ou que é preciso espiritualizá-lo. Ambas as escolas de pensamento são totalmente válidas. Trata-se apenas de uma questão de semântica.

No estado ideal, espírito e ego trabalham em perfeita harmonia, e nós vivemos em dois mundos ao mesmo tempo. Este é o protótipo do terceiro milênio.

Fonte: Joshua David Stone 

sábado, 28 de dezembro de 2013

DHARMA SIKH OU SIKHISMO



O Dharma Sikh ou Sikhismo é uma das religiões monoteístas mais recentes, surgida no norte da Índia, atual Paquistão. Foi fundada pelo Guru Nanak (1469-1539) e desenvolvida por seus nove sucessores nos séculos XVI e XVII, época de constantes conflitos entre o Hinduísmo e o Islã. O Sikhismo promove a tolerância entre as religiões e resgata o essencial delas, despojando-se de superstições, rituais e fanatismo.

Contam que, quando jovem, Nanak passava seu tempo meditando e caminhando na floresta. Durante esse período, o direcionamento de sua vida futura foi determinado por uma visão divina e uma oportuna mensagem de Deus. A mensagem dizia que não há nenhum maometano e nenhum hindu; existe apenas um Deus. Nanak prometeu devotar sua vida ao serviço deste Deus Único.

Do trabalho e ensinamentos de Nanak nasceu uma nova religião, que tem como ideia fundamental o apostolado dedicado. A palavra sikh, na verdade, significa 'discípulo'.

Guru Nanak, como se tornou conhecido, foi seguido em sucessão por outros nove líderes sikhs, ou gurus, sendo o último da linhagem o Guru Govindsingh. Os ensinamentos e , os dizeres, os hinos de todos os gurus eram anotados no livro sagrado dos sikhs, chamado de o Grande Saheb. Este livro é atualmente considerado como o Guru. Uma cópia é mantida no altar do templo de cada sikh, sendo tratada com grande veneração pelos devotos.

As principais características dos ensinamentos sikhs são as seguintes: Deus é um Poder e Inspiração permeando todas as coisas. Referem-se a Ele como Sat Nam (literalmente, o Uno Nome Verdadeiro), ou então é mantido sem nome. As pessoas, dizem que os sikhs, não deviam presumir conhecer Deus pelo nome.

O mundo, como o vemos, é uma ilusão. Sua verdadeira natureza está além da concepção humana e, portanto, todo o nosso conhecimento do mundo é parcial e efêmero. A única forma de obtermos o verdadeiro conhecimento é nos tornarmos absorvidos na consciência de Deus. Das práticas que levam a esta absorção no Divino, uma das mais importantes é a meditação na Luz Divina (Jvoti) e nos Gurus que foram personificações desta Luz.

Em sua primeira visão de Deus, foi dito ao jovem Nanak que repetisse frequentemente o nome de Deus, presumivelmente as palavras Sat Nam. Consequentemente, o sikhismo dá grande importância a esta prática (conhecida como japa) como uma outra chave para a realização divina.

Devido às condições da época de seu prematuro desenvolvimento, a religião sikh tem certos aspectos marciais, como demonstrado em seu aspecto exterior. Coragem, disciplina e dedicação à causa são muito exaltadas.

Todos os aspectos básicos do sikhismo estão em harmonia com os ensinamentos de Sai Baba. A Luz que brilha é a mesma Luz. Mas talvez após cinco séculos, a lâmpada sikh precise de um pouco de polimento. O tempo obscurece o vidro da lâmpada de todas as religiões. Portanto, talvez os de barbas avantajadas, em seus turbantes vermelho-cereja ou azul-turquesa, acreditem que Sai Baba seja seu Polidor Divino.

Além disso, a ciência sagrada ensina que um livro, não importa o quão santificado seja, nunca deve ser considerado como o único professor espiritual. As escrituras não podem transmitir as mais profundas verdades e não devem, por certo, ser jamais cultuadas. Então, é provável que alguns modernos buscadores sikhs encontrem em Sai Baba o que seus antepassados encontraram nos dez Gurus que existiram.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SHANTI


Esta é a límpida paz interior que continua inabalada, com a benção ou o brilho Divino, sejam quais forem os altos e baixos, a “escuridão ou o brilho” das circunstâncias pessoais e dos afazeres deste mundo.

Sai Baba dizia: “Essa shanti é a natureza interior”. Então adquirir Paz não é uma questão de obter algo externo, mas de descobrir algo que já se encontra lá. Toda Sadhana ajuda no processo da descoberta. Um importante exercício na disciplina espiritual é a prática do discernimento. Deve-se discernir conscientemente entre o falso e o verdadeiro, o temporário e o eterno, o sem importância e o de importância vital. Tendo em ordem essas prioridades, deve-se priorizar as mais importantes, verdadeiras e eternas realidades.

Para a nossa diária e ordinária consciência, as coisas que desejamos parecem naturalmente as mais importantes. Mas se usarmos o discernimento, como ressaltado acima, e ao mesmo tempo indagarmos profundamente aos nossos corações e mentes, iremos descobrir que os nossos desejos mundanos são inimigos da paz. Eles são nuvens escurecendo os céus límpidos daquela paz que ultrapassa a compreensão.

A constante batalha para obter os objetos desejados traz medo, frustração, depressão, raiva e ódio. A competição com os outros nesta batalha também traz inveja, ciúme e outras emoções negativas. Não pode haver paz verdadeira enquanto a mente for o playground para tais emoções.

O que podemos fazer então? O desejo é uma parte essencial de nossa natureza animal. Através de eras de evolução, a vida animal fez uso dele e das respostas emocionais que ele desperta, para que o indivíduo e a espécie pudessem sobreviver. Isto é a parte do equipamento de sobrevivência da vida.

Desejos instintivos surgem na nossa mente como em outros animais. As emoções, exatamente como os desejos, também são sentidas na mente, mas encontram expressão no corpo. Através da constante ação de fortes emoções negativas, tais como ódio, medo, raiva e todo o resto, o corpo sofre uma desarmonia e se torna enfermo. Emoções descontroladas são tão inimigas da saúde tanto quanto da paz.

De acordo com a antiga psicologia hindu, existe um corpo-desejo chamado kamarupa, que está ligado ao corpo físico. Ele nos foi dado pelo Criador para nos servir durante nossas vidas na terra. Ele era destinado para ser um servidor, mas para a maioria dos seres humanos ele se tornou um mestre. Trazendo-nos excitação e todos os fortes prazeres de deleite sensual, o Kamapura escraviza nossas mentes e corpos. Ele vive nossas vidas por nós.

Quando tivermos nos lembrado de nosso Lar Espiritual e, como o filho pródigo, lançarmos nossos pés no Caminho que leva até ele, teremos que chegar a um acordo com o Kamarupa. É claro que ainda teremos certos desejos e necessidades instintivos, tais como desejo por comida, abrigo, boa saúde, mas aquela bagagem de desejos supérfluos e prejudiciais deve ser trocada. Sai Baba dizia que é como trocar o peso de muitas moedas por uma leve nota bancária. A cédula é o desejo de alcançar a eterna Shanti Divina, a “Terra Prometida” da Paz. Esta “troca de moeda” não é um processo imediato; acontece gradualmente ao seguirmos as linhas mestras, ou luzes guias, de Prema, Satya, Dharma e Shanti.

Embora Shanti seja um resultado das outras três, podemos nos empenhar para adquiri-la diretamente, visando manter o equilíbrio da mente em todas as situações e cortando progressivamente as cordas que nos prendem às coisas mundanas. Possessividade, paralelamente ao apego, é a causa de muitos medos, preocupações, ciúmes e demais inimigos da Paz.

Portanto, devemos tentar compreender que nessa vida nós não possuímos nada. Guardamos nossas assim chamadas posses como depositários de Deus, e certamente chegará o momento em que Ele as levará embora, ou através da morte ou por alguma outra circunstância. Como bons administradores, é claro que nós devemos tomar conta de tudo o que Ele colocou em nosso encargo (sob nossa responsabilidade), mas devemos ter sempre em mente que nada deste mundo é realmente nosso. “Uma vez que você tenha adquirido esta atitude de impassividade e de não-apego”, dizia Sai Baba, “você terá inabalável Shanti, autocontrole e pureza de mente.”

Desde o início, as quatro linhas mestras devem ser usadas como faróis. Elas estão todas constantemente presentes, brilhantes faróis para nos manter o curso. Todavia, existe uma luz que é mais importante do que as outras. Ela brilha mais forte que todas na noite escura para nos manter a salvo no nosso caminho de Sai. Esta é Prema.

Sai Baba dizia: “O combustível de Prema produz a chama divina de Shanti. Prema traz a unidade de toda a humanidade, e essa unidade, combinada com o conhecimento espiritual, trará a paz mundial”.


DHARMA


Da raiz do verbo sânscrito dhri (segurar), dharma é aquilo que mantém unidas nossas atividades internas e externas. Uma simples definição de Dharma é Prema e Shatya em ação.

Quando o Amor Divino guia nossos passos, e o caminho é iluminado pela Sabedoria Divina, tudo o que fazemos será verdadeiro ao mais elevado dharma. Mas até que esse momento seja alcançado, devemos evitar agir de acordo com os caprichos da nossa mente desejo e chamar isso de nosso dharma.

O que então deve guiar-nos? Postes sinalizadores para direcionar nossas ações estão relatados nas escrituras das grandes religiões. As escrituras, portanto, são um guia ao dharma correto em seus aspectos de retidão, moralidade, bondade e justiça.

Hoje também temos, para guiar-nos, os explicativos ensinamentos de Sai Baba. Ele renovou e pintou os antigos postes sinalizadores. Mas se por vezes ainda achamos difícil tomar decisões certas, a graça de Baba estará sempre lá para nos ajudar.

Além disso, existe a fórmula de Karma Yoga que Baba mencionava frequentemente como o ideal a manter em tudo o que fazemos. “Não anseie pelos frutos de tuas ações. Faça seu dever com Amor no coração e deixe os resultados de todas as suas ações na mãos de Deus".

Trata-se de um ideal para ser alcançado progressivamente. Quando trabalhamos primeiramente pelo bem-estar de nossas famílias, isso já é um começo. Quando tivermos incluído o bem-estar da humanidade, estaremos próximos do ideal. Este ideal é alcançado quando somos capazes de discernir o Propósito Divino em toda as coisas e pudermos trabalhar em harmonia com ele. Isto, é claro, requer muito amor e muita sabedoria, mas devemos continuar a nos mover em sua direção.

Aqui estão algumas indicações dadas por Sai Baba para evitar que nossos passos se desviem.

“Quem quer que domine o egotismo, conquiste os desejos egoístas, destrua sentimentos e impulsos bestiais e abandone a tendência natural de se considerar o corpo como o Ser, está certamente no caminho do Dharma”.

“Em todas as suas atividades mundanas você deve ser muito cuidadoso para não danificar propriedades ou princípios de boa natureza. Você não deve trair as sugestões da Voz Interior, isto é, você deve em todos os momentos estar preparado para respeitar os comandos de sua consciência. Você deve observar seus passos para ver se você está atrapalhando o caminho de alguém. Deve estar sempre vigilante para descobrir a Verdade por trás da cintilante variedade deste mundo”.

Mas “os códigos objetivos do Dharma relacionados às atividades mundanas e à vida diária, embora importantes em suas próprias esferas, têm que ser seguidos com completo conhecimento e consciência do Básico e Interno Atmadharma, o Dharma do Ser Divino Interior. Apenas então poderão os impulsos internos e externos cooperar e produzir a benção do progresso harmônico”.

Por ser o nosso objetivo básico encontrar nosso caminho de volta a Deus, e esse propósito deve ser eventualmente alcançado, o Dharma é uma “chama de luz que nunca pode ser extinta”. Entretanto, embora a chama não possa ser extinta, ela pode por vezes ser ocultada, como acontece nos afazeres do mundo atual.

Sai Baba dizia: “Quando o Dharma não é usado para transmutar a vida humana, o mundo é afligido por agonia e medo; ele se torna atormentado por revoluções tempestuosas”.

Com o passar do tempo as pessoas se acostumam ao estado das coisas à sua volta, e não percebem seu declínio. Isso aconteceu ao Dharma. Mas a selva espinhosa do Dharma mundial deve ser limpa e trazida de volta aos campos sorridentes. Isso pode ser feito pelo Avatar e seus ajudantes. Todos os que amam o bem e a verdade devem ajudar na restauração dos imaculados campos dhármicos, abandonando pelo menos o ódio em relação aos outros, e empenhando-se para cultivar tolerância, concórdia e harmonia.

“Através da concórdia e da harmonia o mundo irá se tornar dia a dia um lugar de felicidade, livre de inquietação, indisciplina, desordem e injustiça”.

Eis três máximas de Sai Baba para ajudar o indivíduo a viver uma vida dhármica e assim restaurar o degradado Dharma do mundo:

“Faça o bem; veja o bem; seja bom. Deus ama a bondade.”

“Dever, com amor, é desejável. Amor, sem dever, é divino.”

“Deus está onde está o Dharma; e onde Deus está, está a vitória.”

SATHYA



Esta palavra vem do sânscrito sat, que significa “Ser Verdadeiro”, e Sathya é a linha mestra dada por Sai Baba para guiar-nos na busca pela Verdade do Ser através da aquisição de conhecimento. Existem dois tipos de conhecimento, mundano e sagrado. “Se nós não acumularmos conhecimento, não é possível alcançarmos a transformação”, dizia Sai Baba.

Em seus escritos e discursos, muitos dos quais foram publicados em forma de livro, Baba se concentrava no conhecimento sagrado, até o ponto  em que pode ser transmitido em palavras, de Deus, do Universo e do propósito aqui na Terra. Em sua palestras, Baba revelou muitas variações acerca destes temas. Há necessidade de tais variações, diferentes abordagens verbais, ênfases e ilustrações devido aos diferentes níveis mentais e espirituais e aos variados backgrounds culturais de seus ouvintes. Desta forma ele forneceu alimento a todos eles.

Para a média das pessoas que desde cedo foi treinada em alguma religião ortodoxa, ou em absolutamente nenhuma religião, talvez os ensinamentos de Baba possam parecer, de início, bastante estranhos, ou até mesmo revolucionários, particularmente o conceito de sermos unos com Deus. Mas se buscarmos em nossas próprias escrituras, iremos encontrar essa mesma verdade, tal como foi relatada nos escritos místicos.

Aos estudantes da Sabedoria Antiga, encontrada na base de todas as religiões, os ensinamentos de Sai Baba não são nada estranhos. Eles simplesmente dão vida nova e vitalidade às verdades espirituais que são tão antigas quanto o tempo. Mas a poeira dos tempos está acumulada no eterno sino da verdade; ele precisa ser limpo para que possa novamente ecoar a Mensagem Divina através do mundo.

Ao mesmo tempo, Baba ensinou que o conhecimento adquirido pela cabeça nunca pode, por si próprio, conduzir-nos ao objetivo da vida. Na verdade, o centro de Sathya habita as profundezas do coração espiritual. E é de lá que vêm as mais profundas sugestões e ideias enraizadas. Mas elas precisam ser canalizadas pela mente para serem formuladas em pensamentos e palavras. Expressar essas profundas verdades do coração em palavras é, entretanto, uma difícil operação, e talvez nunca inteiramente realizada. Por isso a necessidade da mitologia, para fazer lembrar essas verdades inexprimíveis.

Algumas pessoas, devido aos temperamentos e treinamentos, devem começar a buscar a verdade suprema através do conhecimento, isto é,  ao longo do caminho de Jnana. Entretanto, tudo o que irão descobrir é que, em algum ponto, devem encontrar e se unir ao caminho de amor e devoção. O conhecimento sozinho irá secar o coração e levar ao egotismo e orgulho espiritual. Portanto, é mais importante misturá-lo, logo que possível, ao lubrificante do Amor Divino.

Ao colocar a devoção em primeiro lugar, Sai Baba se empenhou em balanceá-la com o conhecimento. Por todo o mundo os grupos Sathya Sai se encontram para cantar canções devocionais, bhajans. Eles gostam desta prática, mais do que de qualquer outra, e muitos não gostariam de fazer nada além disso nas reuniões. Mas Sai Baba insistiu que eles incorporassem períodos regulares de estudo e debate para ampliar seus conhecimentos e compreensão e conduzir uma evolução balanceada.

O Caminho Sai integra coração, cabeça e a mão também.


PREMA



Prema é o Amor Divino, o amor que por natureza dá continuamente sem pedir nada em troca. Este é o amor que Deus tem por todas as criaturas. Cada um de nós pode desenvolver este amor, pois o possuímos inerentemente como parte de nossa natureza divina interior. Mas a passagem tem que ser aberta para que este amor, preso no coração espiritual, possa se exteriorizar.

Vinda da nascente do coração, a corrente de amor corre em direção ao grande oceano que é Deus, porque Deus está dentro de todas as pessoas, o amor divino do coração individual corre em direção a tudo. Sai Baba dizia que ele tem “a qualidade da empatia, empatia que nos faz felizes quando os outros estão felizes, e miseráveis quando os outros estão tristes”. Ele se apresenta como “uma série de pequenos atos, direcionados pela atitude de reverência pela divindade de todos os seres”.

O próprio Sai Baba, sendo o grande corpo do amor, abriu a passagem para liberar a nascente no coração espiritual. Existia uma aura de amor tão poderosa em torno dele que, como uma chama, queimava os entulhos que estavam bloqueando a corrente de amor de sua verdadeira natureza. Então a maravilhosa corrente começa a deslizar, em direção a Deus e em direção a toda a vida.

Ela pode ser de novo bloqueada por pesados sedimentos de egoísmo, egotismo, pensamentos errados e toda a lama que vem das terras pantanosas do desejo. Baba deu muitas instruções sobre como viver neste mundo mantendo a pura corrente de Prema fluindo. Aqui estão algumas delas:

Considere sempre as falhas alheias, mesmo que grandes, como insignificantes e ínfimas, e considere suas próprias falhas, mesmo que insignificantes e ínfimas, como grandes, e sinta-se arrependido.

“Perceba que o uno e único Deus reside no coração de todas as criaturas e tente amar a todos. Tente compreender a paternidade de Deus e a fraternidade de todas as criaturas. Perceba que Deus é puro amor, que Ele é Prema-Swarupa, a personificação do amor”.

Devíamos colocar em prática esta fraternidade em relação a todas as criaturas, Sai Baba dizia, lembrando todos os dias de “começar o dia com amor, preencher o dia com amor, e terminar o dia com amor. Este é o caminho que leva a Deus, pois Deus é Amor”.

Que diferença fará aos nossos dias lembrarmos desta máxima a cada manhã quando acordarmos, e voltarmos a ela de tempos em tempos enquanto os eventos do dia acontecem!

Mas por que então estamos equipados com faculdades críticas se devemos nos abster de criticar e julgar as outras pessoas? Sai Baba ensinou que é melhor criticar as ações da pessoa do que a pessoa em si. De fato, devemos nos vigiar atenciosamente para não julgar os outros e falar sobre seus erros e fraquezas.

Por uma razão não podemos ver as profundezas do coração de nosso irmão. Para ilustrar isso, Sai Baba contava a história de um casal que atravessava uma floresta para ir a um lugar de peregrinação. O marido, que estava andando na frente, viu um diamante resplandecendo na areia em seu caminho. Rapidamente ele chutou alguma terra sobre a pedra para que a mulher não a visse. Ele teve medo de que ela quisesse apanhá-la e se tornasse escrava do brilho superficial, que era como ele via o diamante. Mas a esposa vira a joia e o gesto. Repreendeu seu marido por ele fazer em sua mente alguma distinção entre o diamante e a areia. Para ela, eles eram a mesma coisa. O marido certamente falhara em ver dentro do coração de sua esposa.

Quando nossa percepção espiritual estiver suficientemente desenvolvida para enxergar as profundezas da alma humana, nosso sentimento de união com tudo será tal, que quaisquer críticas que possamos fazer serão amortecidas por uma amável compreensão e amor. O próprio Sai Baba explicava isto. Tudo mais são egos latindo inutilmente para outros cães igualmente barulhentos.

Ao movermo-nos ao longo do caminho pela linha mestra de Prema, nosso apego as coisas mundanas irão, lentamente, se dissolvendo. Ao mesmo tempo nosso apego a Deus irá se fortalecer, até que nos tornemos sempre conscientes de Sua presença. Também começamos a compreender a lei oculta que diz que, por buscarmos o reino de Deus, todas as coisas das quais precisamos vêm a nós.

Sai Baba colocou isto de forma simples: “Se tivermos fé completa, e nos entregarmos inteiramente a Deus, então, assim como o gato toma conta de seus filhotes, Deus olhará pelo nosso bem-estar, não importa onde estivermos”.

Mas mesmo quando vemos que a coisa certa é unir nossa vontade à Vontade Divina, que é o significado de 'entrega', como aprendemos a conhecer a vontade de Deus? Como podemos adivinhá-la em todas as situações?

O obstáculo que nos impede de ver a vontade de Deus é o nosso próprio egotismo. Baba dizia que isso é algo “que tem sido inerente ao homem por eras, lançando seus tentáculos mais e mais profundamente com a experiência de cada vida”. Devoção a Deus, dizia ele, é a água com a qual podemos lavar essa sujeira dos tempos. Contudo, devemos acrescentar a essa água de devoção os detergentes gêmeos do discernimento e do não-apego, discernimento entre o falso e o verdadeiro, e a quebra do nosso apego ao falso. O sabão da Sadhana, práticas espirituais, também deve ser usado para lavar os resíduos de egotismo.

O ego, o falso “Eu”, sofre uma vagarosa e dolorida morte na cruz de Sadhana. Mas irá morrer, e depois vem a ressurreição do “Eu” real.

No Caminho Sai, a linha mestra de Prema é a mais importante. Ela leva a crescente  devoção a Deus, e é sustentada pela benção que vem da devoção. Os buscadores ajudam uns aos outros ao se juntarem para cantar e falar sobre as glórias de Deus, ou para louvá-Lo à sua maneira. Eles devem evitar controvérsia, pois esta leva ao egotismo e ao amor da conquista. Como existe lugar para uma diversidade de opiniões (pareceres, pontos de vista), a polêmica nunca leva a uma conclusão final. Em vez de perder tempo em debates, o buscador deveria usar cada minuto promovendo devoção a Deus.

“Amor Supremo e sabedoria são um só”, disse o grande sábio Narada. “Cante então as glórias do Senhor e que ele possa residir no coração de todos... trazendo-nos paz eterna”.

Mas embora o ponto mais alto do amor seja a sabedoria, os buscadores no caminho devocional podem se tornar muito emocionais até que este nível seja alcançado. Então, Sai Baba ressaltava, a devoção pode explodir como a lanugem do cardo. Deve haver uma âncora de crescente conhecimento ou então a devoção será perdida no vácuo.

Como Atingir o Propósito da Vida


Não há nenhuma  lâmpada de Aladim que possamos esfregar para trazer o tesouro subitamente até nós. Nem temos que viajar o mundo para encontrá-lo como o homem que buscou em todos os países e, então, de volta à sua casa, encontrou-o escondido sob o chão de sua humilde casinha.

Todo grande professor que deu instruções sobre como atingir a meta da vida deu o que pode ser chamado de uma fórmula. Mas nunca é uma fórmula mágica que pode ser misturada e agitada para dar resultados imediatos. É sempre uma fórmula pela qual temos que nos empenhar para viver nossas vidas. Quando conseguimos executá-la, os resultados são certos.

Como poder ser esperado, as fórmulas são basicamente as mesmas se pudermos analisá-las corretamente. A única diferença está na maneira como são apresentadas, na ênfase dada a um ou outro fator, ou na introdução de um novo ingrediente para que se adequem ao espírito de uma geração ou aos amplos pensamentos dos buscadores.

Sai Baba nos deu uma fórmula com quatro ingredientes principais. Ao invés de pensar neles como ingredientes, talvez devêssemos considerá-los como quatro linhas mestras ao longo do Caminho Sai. Se seguirmos essas linhas, certamente alcançaremos a meta. Seus nomes em sânscrito são Prema, Sathya, Dharma e Shanti.